Formação com professoras/es debate segurança alimentar nas escolas

Por Ricardo Wagner – Comunicador popular pela Obas

Durante dois dias com muita chuva e alegria, aconteceu o último módulo de Educação Contextualizada do Projeto Cisterna Escolar em Cascavel.

As professoras, professores, coordenadoras e coordenadores das escolas rurais de Aquiraz e Cascavel contempladas com a cisterna escolar foram mais uma vez debater temas de relevância à comunidade escolar.

Dessa vez, a roda de conversa girou com a Segurança Alimentar e os impactos da alimentação saudável no aprendizado. Com base nos depoimentos das merendeiras que já haviam participado da formação anterior, algumas questões foram socializadas, como a dificuldade de sensibilizar as famílias das crianças a estimular o consumo de frutas e verduras. É unânime a preocupação das profissionais que trabalham na cantina com o desperdício e com a substituição da alimentação servida nas escolas pelos produtos industrializados e processados. “A gente vê muitos pais das crianças colocando recheados e refrigerantes pras crianças comerem. E depois falam sobre as alergias que as crianças desenvolvem. Onde está a causa disso?” disse Gorélia Queiroz, diretora do Centro de Educação e Cidadania Manoel Assunção Pires, em Aquiraz.  Assim como ela, outras educadoras pontuaram o empenho das secretarias de educação em levar o debate através de nutricionistas não só para os estudantes, mas também para seus familiares. “A gente acredita que esse trabalho tem que ser contínuo e com a participação dos pais. A gente acaba tendo que educar não só as crianças para os benefícios de uma alimentação saudável”, disse a professora Diana Cardoso, da EMEF João Jaime Gadelha, da comunidade Aroeira, também em Aquiraz.

Mas não adianta só estimular o consumo de alimentos naturais. É preciso estar atento às ameaças que nos cercam como o aumento e liberação do uso de agrotóxicos. As informações sobre os males que os venenos utilizados nos plantios devem ser socializados o tempo todo, para que a população saiba do mal que está colocado no prato.

Como a proposta pedagógica é num formato circular, cada tema rodeia por outro, somando as prosas. Daí, o lúdico se apresenta em forma de jogos como a “Malassada Divertida”, “Vamos passear no rio” e “Self Service”.

Gorélia com o jogo “Malassada Divertida”.

A “Malassada Divertida” permite conhecer alimentos que remetem à cultura local como a macaxeira, a carne de sol, o ovo, o milho, como ingredientes a serem compartilhados. É possível através da brincadeira produzir textos, fazer cálculos e se divertir!

Diana e Gorélia divertem a turma durante o jogo “Vamos passear no rio?”

No “Vamos passear no rio?”, as participantes percorrem um tabuleiro gigante, jogando um dado também gigante e respondendo a perguntas diversas sobre o meio ambiente. Durante o percurso, observa-se a nascente do rio, um trecho onde ele está poluído e o processo de despoluição. Ao final, todos saem ganhando com a limpeza do rio.

Escolhendo os alimentos para o jogo “Self service”

E finalmente o “Self Service”, onde as pessoas, numa fila, escolhem nas opções representadas em figurinhas, seguindo os seguintes critérios: alimentos que gostam de comer, alimentos que gostariam de experimentar e alimentos que não gostam de comer.

Professora Vanessa Lima, da EEF Boa Água, em Cascavel, apresenta seus alimentos preferidos

Em seguida, fazem um mergulho em suas memórias sobre esses alimentos e o que representam em suas vidas. Ao final, faz-se um levantamento quantitativo dos alimentos naturais e produtos industrializados para os três critérios sugeridos. O objetivo não é fazer juízo da alimentação de cada um/a, mas refletirmos sobre como podemos melhorar nossa alimentação, tornando isso um exemplo para as crianças.

Além de Segurança Alimentar, dialogamos sobre fatos atuais como a violência nas escolas e os rumos da educação. Também foram apresentados vídeos sobre consumo consciente e as feiras agroecológicas. E para encerrar a atividade, o cordel gigante “A prosa da cisterna nas escolas” fez uma retrospectiva do projeto.

Alimentar a mente com pensamentos e reflexões que nos permitam o bem viver também é agroecologia.

Sigamos…

Projeto Cisterna Escolar – Contempla escolas públicas rurais com a construção de cisternas de placas de captação da água da chuva, com capacidade de armazenamento de 52 mil litros de água. Durante a execução do projeto, acontecem reuniões com as famílias da comunidade onde a escola está situada, formações com as merendeiras e serviços gerais e formações com as professoras/es, coordenadoras/es e diretoras/es das escolas, onde se debate temas como segurança alimentar, agroecologia, comunicação popular, políticas públicas, convivência com o semiárido, lgbttfobia, intolerância religiosa, racismo e machismo.   A ação construiu 5 escolas em Cascavel e 6 escolas em Aquiraz, além de 4 escolas em Maranguape e 2 em Guaiúba.   O projeto é financiado pela SDA- Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Governo do Estado do Ceará e realizado pela Obas, com o apoio das Comissões Municipais  e das prefeituras de Aquiraz e Cascavel, através de suas Secretarias de Educação, Secretarias de Agricultura e Secretarias de Infraestrutura.