Convivência com o semiárido e segurança alimentar são debatidos com professoras de Maranguape e Guaiúba

“Essa escola aqui é onde está a minha história”  Profª Margarida, da escola Francisco Pereira de Andrade, comunidade Bom Princípio – Guaiúba/CE.

Com relatos afetuosos de suas experiências com a educação, professoras/es e diretoras/es das escolas rurais de Guaiúba e Maranguape participaram durante dois dias do primeiro módulode Educação contextualizada, realizado em Guaiúba, Ceará.

A atividade faz parte do projeto Cisterna nas Escolas, financiado pelo Governo do Estado do Ceará, através da SDA – Secretaria de Desenvolvimento Agrário, e realizado pela Obas, contando com a colaboração das prefeituras de Maranguape e Guaiúba.

O projeto atende a escolas rurais que hoje sofrem com a escassez de água potável e receberão cisterna com capacidade de armazenamento de 52 mil litros de água da chuva, captadas pelo telhado da escola.

A dinâmica do evento envolve a trajetória dos movimentos sociais, passeando pelas conquistas das comunidades rurais por políticas públicas, dentre elas as tecnologias sociais de convivência com o semiárido.

Com uma metodologia diversificada, procurando entreter e refletir sobre os vários aspectos em que a escola se soma à comunidade pelo bem viver, a Obas investe e acredita no lúdico como elemento favorável a essa reflexão. Daí, entre jogos, brincadeiras, vídeos e contação de história, torna-se mais prazeroso debater e impulsionar a troca de saberes.

No módulo Um, pudemos conhecer além da trajetória da ASA, do FCVSA – Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, o surgimento da Obas como organização que promove a convivência com o semiárido a partir de diversas temáticas, entre elas a Segurança Alimentar e Nutricional e o Direito à Terra e à Água.

Minha escola vai ficar assim –

Profª Margarida, participando do cordel gigante.

Após conhecer sobre os projetos executados pela Obas, foi apresentado o cordel gigante “A prosa da cisterna nas escolas”, onde as professoras puderam literalmente “entrar” na história, de forma divertida e contextualizada.  Os versos contam a trajetória de duas crianças que lamentam as dificuldades que enfrentam diariamente com a falta d’água nas escolas, onde muitas vezes tem que levar de casa ou são dispensados da aula por não ter água sequer para fazer a merenda escolar. Daí, se deparam com a boa notícia, levada pela diretora da escola de que o projeto cisterna na escola contemplará a comunidade e como se dá todo o processo de mobilização das famílias, formação com merendeiras e professoras e construção da cisterna.

 

 

 

 

 

Ao final, todas/os puderam ilustrar como imaginam que ficará a escola após o recebimento desta importante tecnologia social. Com o desenho, é possível avaliar o local da construção, o caráter estrutural (caixa d’água, coluna,etc), disposição de árvores, esgotos e distância da cantina. É um momento muito rico para avaliarmos todo o contexto em que ficará a cisterna, promovendo também a redução do trabalho das merendeiras para buscar água, já que um motor e a parte hidráulica favorecem a chegada da água até a torneira da cantina.

professoras/es são estimuladas/os a desenhar como ficará a escola com o recebimento da cisterna.

Agroecologia –

Essa forma de conviver com a natureza, respeitando as culturas locais dentre outros aspectos, também foi dialogada no encontro. Alguns mitos como o alto custo para aplicação de técnicas agroecológicas e a utilização de agrotóxicos foram colocados como informações importantes para se dialogar com os estudantes, tendo em vista que essas práticas ainda ameaçam a agricultura e a saúde das pessoas, seja no campo ou na cidade.

Segurança Alimentar e Nutricional

As/os participantes foram convidadas/os a um “self-service”, onde figuras de diversos alimentos estavam expostos e identificar alimentos que gostam, que não gostam e que gostariam de experimentar.  A partir daí, o debate se revela como está nossa alimentação, como isso reflete nas crianças e adolescentes, a influência da mídia e das grandes industrias de alimentos.

O foco da conversa é refletirmos nosso papel na conscientização por uma alimentação mais saudável. Também falamos sobre o infeliz retorno do Brasil ao mapa da fome e as conseqüências disso para a saúde. Ainda sobre o tema, a legislação sobre Segurança Alimentar e pequenos vídeos foram apresentados para contemplar e facilitar a compreensão.

Como é a minha comunidade

E para encerrar o primeiro módulo, as/os participantes ficaram com a “tarefa de casa” responder um questionário em que se apresenta a comunidade e suas características, que serão trabalhos nos módulos seguintes.

Agora é organizar o segundo módulo, com a melhor das expectativas.

Sigamos…